O dólar dançou? Será o começo de uma nova ordem mundial?
Fernando Teixeira
SÃO PAULO – Julho de 1944, final da Segunda Guerra Mundial, cidade de Bretton Woods, EUA. Líderes de 44 países se reúnem para discutir a reconstrução dos países do pós-guerra. Com as economias devastadas, o mundo precisava de um sistema internacional de pagamentos que permitisse o comércio entre as nações. Sob este contexto e com o poderio militar americano, o dólar deixou o ouro para trás e se tornou o lastro de todos os negócios mundiais. Contudo, agosto de 2011 pode ser a data que a moeda começa a perder a força mundial. Será que ninguém quer mais fazer reservas em dólar?
Poucas pessoas no mundo duvidam que os congressistas norte-americanos não aprovem o novo teto da dívida norte-americana. Cerca de US$ 2,4 trilhões nos próximos dez anos. Contudo, muita gente acredita em rebaixamento de rating dos papéis mais seguros do mundo: os títulos da dívida americana.
Será que os desastrosos e excessivos gastos do governo Bush e a queda de braço entre congressistas e Barack Obama sinalizam para o rebaixamento de rating e a perda de credibilidade do dólar no mundo? Talvez o primeiro sinal seja a reação negativa dos mercados ao anúncio de Obama. As principais bolsas do mundo caíram na tarde desta segunda-feira.
Na opinião do diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Grisi, o Senado americano brincou com fogo. “O grande perdedor do episódio não é Obama, mas sim os EUA. Parece muito nítido que haverá rebaixamento dos títulos americanos.”
Um redesenho da economia do mundo pode estar em curso, opinou Grisi. Para ele, os governos e mega investidores devem começar a colocar o dólar em xeque ao longo dos anos, em detrimento de reservas de moedas como o franco suíço, libra esterlina e euro. “Gradativamente haverá substituição por ouro, prata, platina, cobre e commodities agrícolas ou não metálicas.”
Para embasar a sua opinião, Grisi lembrou que a Europa tomou para si os problemas locais e a países como França e Alemanha se destacaram como os grandes líderes. “A situação europeia não é tão distante da americana, mas há determinações políticas que os investidores não enxergam nos americanos.”
Para mostrar que os EUA passam por um momento delicado, o diretor cita o artigo do Financial Post que mostra que a empresa de Steve Jobs, a Apple é mais líquida que os EUA. A publicação mostra que o balanço das operações das reservas americanas é de US$73.768 bilhões, enquanto o dinheiro de reserva da Apple é de US$75.876 bilhões.
Grisi argumenta ainda que o Brasil pode se beneficiar com um Real forte. “Embora não seja uma moeda muito procurada por falta de liquidez e o controle de inflação e câmbio flutuante sem medidas como IOF.”
O agente de mercado enfatiza que é o momento do Brasil se firmar como o grande centro latino americano financeiro. “Temos que ter um centro financeiro regional para rivalizar com Miami, nos EUA. É o momento para chamar divisas para cá.”
O desenho parece tracejado: o mundo já parece buscar um novíssima ordem mundial. Talvez, nos próximos anos, a geração que não presenciou a guerra, presencie um novo acordo de Bretton Woods.
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